“Cariocas são bonitos,
Cariocas são bacanas
Cariocas são sacanas,
Ccariocas são dourados
Cariocas são modernos,
Cariocas são espertos
Cariocas não gostam
De dias nublados…”
Cariocas (Adriana Calcanhoto)
Primeiro dia de trabalho no Rio.
Hora do almoço, aniversário de uma nova colega de trabalho.
Pra fazer uma social vamos todos almoçar juntos num restaurante.
Pedidos feitos, o garçom pergunta:
-E pra beber?
Eu já ia dizer:
-Uma coca, por favor!
Mas fui impedido. Todo mundo pediu chop.
Chop, na hora do almoço, durante o expediente.
E fui reparar nas outras mesas. Todo mundo engravatado ou vestido social. Sobre as mesas: chop.
Adoro o Rio de Janeiro!
—
Terça-feira, 26/04, hora do almoço.
Na dúvida entre o que comer, minha amiga Gi e eu decidimos encarar o KFC.
Nosso trajeto consiste simplesmente em atravessar o largo do Machado, dobrar à direita e seguir em frente, coisa de 3 minutos, no máximo.
Nós dois distraídos, papeando e surge, do nada, um rapaz por volta dos 30 anos na nossa frente, segurando sacos de jujuba.
-Que casal mais lindo! Ela parece com a Glória Pires e você com o Brad Pitt! –ele diz.
-Não precisa forçar a barra pra vender as jujubas, rapaz! –eu digo.
-Que nada, o casal é tão simpático que eu não vou nem vender, vou dar as jujubas para vocês! Ninguém me compra essas porras mesmo!
-Não precisa, não gosto de jujuba. –diz a Gi.
Isso ele segurando a gente na calçada, não nos deixando continuar nosso trajeto.
-As balas são de vocês, faço questão! E não quero dinheiro por elas! Mas agradeceria imensamente se pudessem pagar o meu almoço, pois a luta é dura para pessoas como eu que não consigo vender as jujubas para comprar o almoço.
-Quanto é a jujuba, rapaz? –eu pergunto.
-Não! As jujubas são de vocês, presente meu! Mas se puder me dar R$ 5, eu agradeço.
Então tá então, né?
—
Estação do Metrô Largo do Machado, horário do almoço.
Eu indo para Botafogo almoçar com uma amiga, mas com um tempinho de sobra, caminhando devagar observando aquela correria habitual do metrô.
Última quinta feira do mês, algumas pessoas distribuindo uma revistinha Metrô Rio, divulgando o trabalho da empresa quando fui abordado por uma mocinha que me deu uma revista e perguntou:
-Você podia me ajudar, heim? Preciso tirar foto entregando a revista pra alguém, mas é uma correria danada, ninguém tem tempo e eu preciso fazer o seu trabalho. Posso tirar a foto contigo?
-Claro, eu tô em horário de almoço, te ajudo.
Ela chama o fotógrafo (bonitinho demais) e tira a foto me entregando a revista. O fotógrafo vira pra ela e diz:
-Você é esperta, só escolhe bonitinhos pra tirar as fotos com você, heim?
-Ah, claro! Por que você acha que minhas fotos saem quase todo mês na revista?
Eu fico rindo da situação surreal, quando o fotógrafo vira pra mim e diz:
-Ela te deu o cartão dela? Claro que não, ela não tem cartão! Mas eu tenho! E sinta-se à vontade para me ligar! Adorei te fotografar!
Eu saio em direção ao embarque rindo daquilo. E com o ego nas alturas, é claro.