Dia de Folga

05/01/2012

Quando moleque e ainda morando em Smallville, os dias mais aguardados do ano eram aqueles em que a família viajava junta para aproveitar o verão em Cabo Frio. Como eu curtia aqueles dias de praia e sol, livre por aquela cidade que eu, durante muito tempo, considerei a mais perfeita do mundo. O tempo passa, a gente cresce e essas pequenas coisas simples da vida vão sendo deixadas pra lá, guardadas na caixinha de lembranças. O que eu, particularmente, acho uma pena, pois ainda me considero o mesmo garoto de outrora, apaixonado pelo mar.

Assim, é quase um absurdo que eu trabalhe a uma quadra da praia, more a alguns minutos das praias mais famosas do mundo e quase nunca aproveite esse espetáculo de beleza que tenho de graça à minha disposição. Para terem uma ideia (e essa é a parte esnobe do post), a última vez que fui a praia foi em outubro, nas minhas férias em Ibiza.

Eis que hoje, plena primeira quinta-feira do ano, estou de folga e o dia lindo, de céu azul sem nuvens, um verdadeiro convite para se quitar minha dívida com a paisagem carioca. Acordei tarde, resolvi alguns assuntos domésticos, mas o bom do horário de verão é isso, já que o dia rende muito mais. Convoquei a amiga so cute que também está de folga e fomos lindos e morenos aproveitar a tarde em Ipanema.

Gordos que somos, chegamos em Ipanema e fomos logo comer um pastel de queijo maravilhoso antes de irmos para a praia propriamente dita. Afinal, saco vazio não pára em pé e nós precisaríamos estar de pé para curtir o dia. Somos desses, que procuram desculpas para comer sem culpa.

E que dia lindo! Os turistas – que infestam o Rio nessa época do ano – devem estar aproveitando. A praia estava lotada, o sol à pino e nós decidimos não parar em lugar nenhum. Chegamos até a beira do mar e fomos caminhando com os pés na água no sentido do Leblon. A água, a princípio fria, foi tornando-se tão convidativa que não resisti a dar alguns mergulhos para aplacar o calor. Caminhando e conversando, nem sentimos a distância: quando nos demos conta, já estávamos na divisa de Ipanema com o Leblon e, uma vez ali, sugeri que continuássemos a caminhada até o Mirante do Leblon, que nos brinca com uma das paisagens que mais gosto do Rio.

No Mirante do Leblon sentamos numa mesinha de um dos quiosques e apreciamos a vista. A visão da orla do Leblon até Ipanema era embalada pelas músicas cantadas por um cantor que fazia seu som num banquinho no meio do Mirante. E foi petiscando e bebendo que terminamos nossa tarde, com aquela vista à nossa frente e a sensação de dever cumprido que nos toma quando fazemos algo que nos dá prazer.

No retorno pra casa, as promessas de sempre. Vamos voltar a correr no Aterro, vamos passear mais, vamos aproveitar essas paisagens. Antes que a rotina nos atropele. Antes que a vida passe. Antes que o mundo se acabe.

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Domingo de Inverno

08/08/2011

Algumas vezes, tão absortos por nossas atribuições do dia a dia, deixamos de observar algumas paisagens tão corriqueiras e tão especiais. Eu mesmo, que faço todo o dia o trajeto Flamengo-Copacabana, muitas vezes deixo de notar as belezas que fazem do Rio de Janeiro o meu lugar mais que especial e aquele que eu escolhi para viver.

Num domingo de inverno, depois de um almoço apetitoso, ao invés de irmos direto para casa, o namorado sugeriu que fôssemos dar uma caminhada pelo Aterro do Flamengo. Quintal de casa, lugar pelo qual passamos todos os dias, mas que quase nunca nos damos ao trabalho de apreciar.

E nesse domingo de inverno, com céu azul e sol brilhante, vamos caminhando e caminhando e registrando algumas belezas do caminho. Cliquei algumas imagens que não ficaram lá muito boas (a culpa não é só do “fotógrafo”, a qualidade da câmera do celular não ajudou muito), mas que mesmo assim resolvi postar por aqui.

Porque o blog também é pra isso. E pro que mais eu decidir.

Praia do Flamengo

Aterro do Flamengo, Pão de Açúcar ao Fundo

Pontinha do Pão de Açúcar

Brincando de preto e branco

E por culpa desse passeio e dessas fotos casuais, até me bateu uma vontade de brincar mais vezes disso: de sair por aí sem destino e fotografando, curtindo as belas paisagens que a tantas e tantas vezes deixamos para lá.

Eu ando pelo mundo prestando atenção 
Em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo
Cores… 
Esquadros (Adriana Calcanhoto)