"Mamãe, Eles São Como Eu"

22/08/2011

Enquanto no Brasil a polêmica do beijo-não-beijo gay aparece a cada novela com personagens homossexuais, nos EUA esses beijos são mais que comuns. Desde Dawson’s Creek, em 1999, que isso já deixou de ser tabu nas séries americanas.

Atualmente no ar, Glee trata do assunto de forma interessante, com alguns personagens homossexuais. Na segunda temporada, Kurt (Chris Colfer) ganhou um namorado, Blaine (Darren Criss), e o relacionamento dos dois fluiu de forma muito bonita e foi retratada da mesma forma na série.

Mais legal que isso, entretanto, é a história da mãe americana que contou em seu blog sobre a paixão de seu filho de seis anos pelo personagem Blaine. Com quase 40 mil comentários em apenas uma semana, a postagem chamou a atenção até da revista OUT, que convidou a mãe para escrever um texto contando o efeito de seu post original sobre a família.

Como eu tava à toa achei a coisa mais fofa, resolvi traduzir o post original e transcrever abaixo para compartilhar com vocês (se ainda não leram ou ficaram com preguiça de ler em inglês):

Mamãe, Eles São Como Eu

Meu filho mais velho tem seis anos de idade e está apaixonado pela primeira vez. E ele está apaixoando pelo Blaine, de Glee.

Para aqueles que não sabem, Blaine é um menino… um menino gay, namorado de um dos personagens principais (de Glee), Kurt. 

Mas não é uma paixão do tipo, “ah, o Blaine é tããão legal!”. É o tipo de amor que o faz ficar olhando para uma foto do Blaine por meia hora, dizendo com uma voz melancólica “Ele é tão bonito…”.

Ele ama o episódio em que os dois meninos se beijam. Meu filho sai chamando as pessoas pela casa, para se certificar que não percam sua “parte favorita”. E ele fica voltando e assistindo de novo, e força todos a assistirem junto, se certificando que todos tenham prestado atenção suficiente.

Essa paixão não me incomoda nem ao pai dele. Vivemos em um bairro hiper liberal, muitos dos nossos amigos são gays, e a ideia de ter um filho gay não é algo que incomode a qualquer um de nós. Nosso filho vai ser quem ele é, e é nosso dever amá-lo. Fim da história.

Mas ele só tem seis anos. Aos seis anos de idade, ele fica obcecado com todo tipo de coisas. Isso pode não significar absolutamente nada. Nós sempre brincamos que talvez ele seja gay, ou então que temos o melhor material de chantagem da história da humanidade para quando ele for um garoto hetero de 16 anos (melhor ainda que suas fotos tomando banho).

Outro dia estávamos viajando pelo estado, escutando o CD dos Warblers (é claro!), quando no meio (da música) Candles, meu filho disse do banco de trás:

-Mãe, Kurt e Blaine são namorados.
-Sim, eles são. – eu afirmei.
-Eles não gostam de beijar garotas. Eles beijam apenas garotos.
-Isso é verdade.
-Mamãe, eles são como eu!
-Isso é ótimo, meu filho. Você sabe que eu te amo, não importa como você seja?
-Eu sei. – e eu podia ouví-lo revirando os olhos para mim.  

Quando chegamos em casa, recapitulei a conversa para o pai dele e ficamos apenas olhando um para o outro por um momento. E então sorrimos.

-Então, se ele daqui a 16 anos fizer o grande anúncio na mesa de jantar, poderemos dizer: ‘Você nos contou quando tinha seis anos. Passe a cenoura.’. E ele vai ficar desapontado porque roubou seu grande momento dramático. – meu marido disse com uma risada enquanto me abraçava.

Só o tempo dirá se meu filho é gay, mas se ele for, eu já estou feliz porque ele é meu. Estou feliz que tenha nascido em nossa família. Uma família cheia de pessoas que vão adorá-lo e aceitá-lo. Pessoas que nunca vão querer mudá-lo. Com os pais que vão olhar para a frente e dançar no dia do seu casamento.

E eu tenho que admitir: Blaine seria um genro realmente bonito.

A postagem original, em inglês, você pode ler aqui. E se quiser ler o artigo escrito pela mãe para a revista OUT, depois de toda a repercussão da postagem inicial, você pode clicar aqui.

Eu só sei que achei a coisa mais bonitinha do mundo e parei pra pensar: como seria bem mais fácil se o mundo todo pensasse desse jeito e visse que, gay ou hétero, somos todos humanos e pessoas normais. É demais sonhar com o mundo ideal?

I’m beautiful in my way ‘cause God makes no mistakes
I’m on the right track baby, I was born this way
Don’t hide yourself in regret, just love yourself and you’re set
I’m on the right track baby, I was born this way…
Born This Way (Lady Gaga)

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Do Que Eu Não Entendo

12/08/2011

Porque apesar de eu tentar, tem certas coisas que eu simplesmente não entendo.

– Eu odeio cebola. Na verdade, eu odeio o CRACK que a cebola faz quando eu estou comendo algo e tem um pedaço dela no meio da comida. Porque o sabor do tempero nem é ruim. Então, não seria mais fácil triturar a cebola antes de colocar nos alimentos? Assim, quem não suporta (e tem ânsia de vômito porque é fresco) morder um pedaço de cebola ficaria feliz e quem gosta da dita cuja não veria problema, afinal, é importante comer um pedaço de cebola ou ter a comida bem temperada por ela?

– Fila deveria ser uma coisa simples, né? Uma pessoa atrás da outra, esperando sua vez para ser atendido ou entrar em algum lugar, correto? Então, por que cargas d’água algumas pessoas parecem desconhecer TOTALMENTE um conceito tão simples como o de FILA?

– Se eu digo NÃO, eu quero dizer exatamente NÃO. Se eu digo SIM, eu quero dizer exatamente SIM. Por que algumas pessoas vivem numa realidade paralela em que dizer NÃO na verdade quer dizer SIM ou TALVEZ e onde o SIM não significa que algo será realmente cumprido como acordado?

– Eu estou namorando. Ando feliz, vivendo uma história muito legal e completamente realizado. Porque eu escolhi isso e topei embarcar nessa possibilidade. Se eu não quisesse, estaria solteiro e feliz com o meu estado. Por que algumas pessoas então se prendem a relacionamentos falidos apenas pelo medo de ficarem sozinhas? Ser feliz (sozinho ou acompanhado) não deveria ser o objetivo?

– Quem eu beijo, transo e durmo interessa a mais alguém?

– Coisinha idiota essa onda politicamente correta, viu! Ser desrespeitoso é uma coisa, mas a patrulha que popularizou o tal do bullying é de uma hipocrisia sem fim. Quando foi que o mundo ficou tão chato?

– Alguém realmente acha aquelas sandálias crocs bonitas? Convenhamos, além de dar chulé, acho que as ditas cujas se enquadram no mesmo grupo das calças saruel no quesito unanimidade: não fica bem pra ninguém!

Por que o fogo queima? Por que a lua é branca?
Por que a terra roda? Por que deitar agora?
Por que as cobras matam? Por que o vidro embaça?
Por que você se pinta? Por que o tempo passa?
Oito Anos (Paula Toller)


Domingo de Inverno

08/08/2011

Algumas vezes, tão absortos por nossas atribuições do dia a dia, deixamos de observar algumas paisagens tão corriqueiras e tão especiais. Eu mesmo, que faço todo o dia o trajeto Flamengo-Copacabana, muitas vezes deixo de notar as belezas que fazem do Rio de Janeiro o meu lugar mais que especial e aquele que eu escolhi para viver.

Num domingo de inverno, depois de um almoço apetitoso, ao invés de irmos direto para casa, o namorado sugeriu que fôssemos dar uma caminhada pelo Aterro do Flamengo. Quintal de casa, lugar pelo qual passamos todos os dias, mas que quase nunca nos damos ao trabalho de apreciar.

E nesse domingo de inverno, com céu azul e sol brilhante, vamos caminhando e caminhando e registrando algumas belezas do caminho. Cliquei algumas imagens que não ficaram lá muito boas (a culpa não é só do “fotógrafo”, a qualidade da câmera do celular não ajudou muito), mas que mesmo assim resolvi postar por aqui.

Porque o blog também é pra isso. E pro que mais eu decidir.

Praia do Flamengo

Aterro do Flamengo, Pão de Açúcar ao Fundo

Pontinha do Pão de Açúcar

Brincando de preto e branco

E por culpa desse passeio e dessas fotos casuais, até me bateu uma vontade de brincar mais vezes disso: de sair por aí sem destino e fotografando, curtindo as belas paisagens que a tantas e tantas vezes deixamos para lá.

Eu ando pelo mundo prestando atenção 
Em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo
Cores… 
Esquadros (Adriana Calcanhoto) 


Sorriso Metálico

01/08/2011

Uma das coisas que mais gosto em mim é meu sorriso. Gosto dos meus dentes, de como eles são certinhos e de como eles ficam bem em meu rosto. Pelo menos, ficavam.

Meus dentes não eram exatamente um padrão estético quando eu era mais novo. Para conquistar o meu sorriso perfeito, assim como grande parte da população, eu usei aparelho na adolescência. Naquela época o motivo nem era exclusivamente estético, já que eu tinha algumas dores de cabeça e o aparelho ortodôntico foi colocado por orientação médica. Depois de um ano de aparelho móvel e mais dois de fixo, ganhei meu sorriso e as dores de cabeça se foram. Dois coelhos numa cajadada só.

Quem usou aparelho sabe que tudo não termina no feliz dia em que o dentista retira aqueles metais da sua boca. Uma contenção geralmente é colocada e, muitas vezes, você deve utilizar um aparelho móvel, seja em algumas horas do seu dia, seja para dormir. Eu tive de colocar a contenção embaixo e deveria dormir com o aparelho móvel, todos os dias.

Acho que dormi com o aparelho móvel por, sei lá, uns dois meses depois que tirei o fixo. O negócio incomodava, aumentava o mau hálito matinal, uma merda sem fim. Meu sorriso era perfeito, eu não precisava mais daquilo. A contenção durou um pouco mais, provavelmente uns três ou quatro anos. Até que um dia o anel de metal soltou, fui ao dentista (não ao ortodontista) e ele retirou de lá. E fui viver feliz da vida com meu sorriso perfeito sem aparelho móvel e contenção.

Até que um belo dia eu observei que um minúsculo espaço surgia entre meus dois dentes inferiores da frente. Minúsculo para os outros, porque para mim era um verdadeiro espaço de dois metros. Mas, fui deixando pra lá, sempre pensando: tenho de ir ao dentista e aproveito para ver isso.

Na minha visita semestral ao dentista, há poucos dias, tomei coragem. Depois de uma limpeza, fui redirecionado para uma ortodontista e tomei um grande esporro: o espaço nos dentes de baixo surgiu pela falta da contenção. Com os dentes sendo empurrados, minha mordida foi prejudicada e tive a feliz notícia de que eu não precisaria de uma nova contenção: eu preciso voltar a usar o aparelho por mais um ano, no mínimo. E depois, contenção e aparelho móvel para não acontecer de novo.

Assim, estou fazendo o procedimento pré-aparelho padrão, que inclui aquelas mil radiografias e molde de gesso. E em breve eu serei novamente um homem de sorriso metálico.

Aos 30 anos. Que merda!

I’m a little boy with glasses
The one they call the geek
A little girl who never smiles
‘Cause I’ve got braces on my teeth
And I know how it feels
To cry myself to sleep
Don’t Laugh At Me (Mark Wills)


3.0

26/07/2011

Nunca fui de me importar muito com essa coisa de aniversário. Na minha família, dia de aniversário sempre foi considerado um dia comum, já que por motivos religiosos a data não era comemorada. Apesar dos traumas infantis de depois dos nove anos nunca mais ter tido uma festa de aniversário e muito menos poder ter ido em uma, acabei me acostumando com o fato. Só fui voltar a frequentar aniversários e até mesmo a comemorar os meus quando atingi a minha independência financeira.

Por isso, apesar de gostar dos mimos que a data sempre oferece, eu nunca fico ansioso por ela, inclusive porque tenho lá as minhas crises com a idade. Pode parecer idiotice, mas crise a gente não explica, resolve na análise (que eu não faço). Esse ano em específico o negócio era ainda mais preocupante: sair do vinte e entrar nos trinta não me era nada convidativo.

Mas o dia chegou e foi mais do que agradável. Nenhuma grande comemoração, mas algumas pequenas e especiais, ao lado de algumas das pessoas que eu mais amo, os meus amigos. Isso sem contar o carinho e a preocupação de todos que, mesmo distantes, estiveram próximos, seja por meio de uma mensagem no Facebook ou de um email bonitinho; tive até post dedicado em blog. Carinho, a gente vê por aqui.

Os 29 se foram, os 30 chegaram e nada efetivamente mudou. A vida segue e a gente vai levando-a, aos trancos e barrancos, eventualmente comemorando uma nova conquista e esperando por novas e impressionantes surpresas.

Aos 30 anos eu tenho um emprego estável, amigos sensacionais, um namorado maravilhoso e uma vida inteira pela frente. Quem precisa de mais?

As entradas do meu rosto
E os meus cabelos brancos
Aparecem a cada ano
No final do mês de julho*…

Amanhã é 23 (Kid Abelha) 

*de agosto, eu sei, mas pode mudar a letra pra música fazer um pouco mais de sentido pra gente mesmo, né?

Smallville

11/07/2011

Eu sou do interior do estado do RJ. Sul do estado, quase na divisa com MG. Imagine uma cidade pequena, com uma praça grande, igreja e prefeitura, onde todo mundo conhece todo mundo e eu nunca tive identidade, sempre fui o filho do meu pai. Lembro que desde sempre a minha intenção era sair de Smallville, me mudar, ganhar o mundo.

Meus pais fazem o estilo sonhadores, daqueles que gostariam de viver num comercial de margarina e nunca enxergaram os problemas que tinham dentro de casa. Tapar os olhos sempre foi um mantra lá em casa. Sabe aquela situação em que a coisa está explícita, mas não se pode tocar no assunto? É assim desde sempre e não estou falando especificamente sobre a minha sexualidade.

O tempo passou e, com ele, meu plano de sair da cidade deu certo. Da cidade pequena pra uma um pouco maior, na serra; e da serra pro Rio. Hoje vivo aqui, apaixonado desde sempre pelo carioca way of life, sem me imaginar vivendo em algum outro lugar. Mas meus pais continuam lá, em Smallville, onde todo mundo conhece todo mundo. E, eventualmente, eu me despenco até lá, para visitá-los.

Acho incrível o sentimento de não adequação que a cidade exerce em mim. Eu morro de saudade dos meus pais, mas basta eu botar os pés lá, vê-los por cinco minutos para desejar estar de volta ao Rio. Lá eu me sinto mentiroso, fake, desajustado. Pra completar, quase não tenho amigos e os que ainda restaram lá, tem suas vidas e ocupações.

Nesse fim de semana eu estive lá. Dessa vez, a sensação foi ainda mais forte. O frio intenso e a falta do que fazer me mantiveram trancado em casa, comendo e dormindo. Não que tenha sido ruim, pois mimo é sempre bom, mas apenas atestou o que eu sempre soube: lá não é meu lugar.

Pra completar, a saudade do namorado era avassaladora. Nesse tempo que estamos juntos criamos hábitos tão nossos, referências que fazem todo o sentido pra nós e que devem ser totalmente nonsense  para os de fora. Tudo que eu via me remetia a ele.

No domingo à noite, já chegando ao Rio, eu chorei no ônibus. De felicidade, por aqui eu poder ser quem eu sou. De saber que tenho alguém que gosta de mim, do jeito exato que sou, sem máscaras. De ter amigos que me acolhem e me fazem bem. De pensar que aquele garoto que sempre quis sair de Smallville e ganhar o mundo conseguiu isso, de forma que nem ele um dia imaginou ser possível.

Why is everybody so serious?
Acting so damn mysterious
You got your shades on your eyes
And your heels so high
That you can’t even have a good time
Price Tag (Xenia) 

Eu Vou Bem, Obrigado!

01/07/2011

A frase que mais tenho ouvido nos últimos tempos tem sido:

“Nossa, você está sumido. Como você está?”

O que mais acho engraçado é que nem estou tão sumido assim. Mesmo namorando, tenho saído, ido à festas, visto meus amigos, mesmo que com uma frequência menor. Só que como não carrego mais comigo o status de Solteiro, as pessoas tem a impressão de que eu sumi da vida social, só porque saí do mercado.

Analiso isso de outra forma: fui eu quem sumi ou os outros que se afastaram? Porque mesmo que eu negue um ou outro convite, estou quase sempre disponível para um bom papo e algum momento de descontração junto às pessoas que gosto. Conciliar as agendas pode não ser fácil, mas não é lá uma tarefa das mais difíceis.

Aos mais curiosos, como diz o tema do post, eu vou bem, obrigado! Ando feliz, redescobrindo que a rotina de uma vida a dois pode ser das mais interessantes e me ocupando com a felicidade. Aquela fase de paixão desenfreada de início de namoro vai dando uma abrandada e a gente vai apreciando as pequenas sutilezas do sentimento pelo outro. Do peso de um sorriso, das características de um olhar, do simbolismo de fazer as refeições juntos.

E tem os planos. Tantos e tão aguardados. Em outubro férias a dois, passeando por um roteiro especial que envolve Itália e Espanha. E a vida a dois, pelo visto, vai ser oficializada. Se não por papéis, mas pelas ações, que, a cada dia, vão se tornando mais concretas e objetivas. Mas isso é assunto pra outra hora.

Àqueles que se importam, estou bem. Feliz e meio ocupado e/ou sem vontade de postar aqui. Gosto desse espaço, do blog, de dividir as coisas e ficar bem ao exercitar a escrita, mas já faço tanto isso ultimamente. Escrever, há tempos, deixou de ser um hobby e ganhou contornos mais sérios para mim. Projetos surgiram, foram postos em prática e eu não fugi do desafio. Mas não abro mão de ter esse blog que um dia já abrigou um lado B e que hoje, provavelmente, me revela com mais nuances que um dia achei que revelaria.

A vida, a doce vida, vai seguindo seu curso e a gente se adequando, moldando, vivendo. Mas, como o papo é de amigos, depois de saber de mim, pergunto: e vocês, como estão?

😉

 

Happiness hit her like a train on a track
Coming towards her stuck still no turning back
She hid around corners and she hid under beds
She killed it with kisses and from it she fled
With every bubble she sank with her drink
And washed it away down the kitchen sink…
Dog Days Are Over (Florence + The Machine)