Religiosidade e Outras Drogas

03/01/2012

Eu já fui um cara temente a Deus. Ou a ideia que eu tinha do que/quem seria Deus. Mais precisamente, eu tinha medo do que poderia me acontecer se eu não fosse temente a Deus. E religião, convenhamos, é basicamente isso: cabresto.

Hoje eu dia, entretanto, estou é cada vez mais intolerante a tudo e qualquer coisa que tenha ligação com religião, principalmente com evangélicos. Eu simplesmente crio  verdadeira aversão a qualquer cidadão que professe sua crença religiosa na minha frente, debocho e ainda faço mil piadinhas sobre o assunto. Tenho 30 anos, mas sou desses e nem tenho vergonha de admitir. Sei que é feio, mas queria que todo evangélico, principalmente aqueles que decidem te converter, fossem pra putaqueopariu bem longe de mim.

Meus pais, por exemplo, fazem parte de uma instituição religiosa. Meu pai bem menos, conseguindo ser até razoável. Mas minha mãe, valha-me Deus (pode usar Deus num post em que eu demonstro minha total aversão a determinados princípios religiosos e até passo uma ligeira impressão de que posso meio que duvidar de sua existência? Mas divago). Minha irritação reside no fato de incluir seu Deus em todas as frases e insistir em dizer que ele está esperando por mim. Tadinho, vai cansar, né? Pega uma revista de variedades pra se distrair nesse meio tempo.

Quando mais novo, dependente dos meus pais, acompanhava-os e até que participei ativamente da vida religiosa. Mas nunca acreditei realmente naquilo. Por isso, muitas vezes me sentia tão inadequado e hipócrita. Por causa de uma crença que não era minha eu estava deixando de ser quem eu era, de viver a minha vida e sufocando meus desejos. Fora que para um gay, enrustido ou não, religião é apenas  mais uma forma de te prender, causando dor e feridas emocionais, já que a máxima de que Deus não nos aceita é o padrão. E não me venham com a balela de que Deus condena o pecado, não o pecador, porque eu já sou grandinho para entender muito bem como funciona o conceito de lavagem cerebral.

Se não acredito em nada? Não sou tão extremista. Pode ser, e isso é apenas uma hipótese, que exista algo superior que eu não sei exatamente o que é. Mas não acredito em NADA da baboseira religiosa baseada na Bíblia como manual de instruções. Pra mim, a Bíblia é apenas um amontoado de ficção desinteressante, como tantas outras que existem por aí. E ficção por ficção eu fico com Harry Potter que acho bem mais interessante.

Dia desses, dentro do vagão do metrô a caminho do trabalho, me peguei prestando atenção na conversa de um homem e uma mulher. Tenho essa péssima mania de, na falta de coisa melhor para fazer, ficar ligado no mundo à minha volta, encarando caras estranhas e ouvindo conversas aleatórias. A pauta era as maravilhas que Deus havia feito na vida da mulher. Segundo ela, Deus se manifestava e era presente em sua vida, lhe aparecendo em sonhos, soprando respostas em seu ouvido e lhe indicando os caminhos que deveria seguir.

-É uma benção, não é? – perguntou a homem.

Esquizofrenia, eu quase respondi. Mas me calei, pois uma coisa eu aprendi: com doido não se discute! Mas que me deu vontade, ah, eu juro por Deus, como deu!

😉