Ouvidos de Aluguel

Digamos que eu seja razoavelmente simpático. Estou quase sempre sorrindo e, apesar de ter os meus problemas, não vejo motivo de culpar o mundo por qualquer mazela que venha a me afligir. Mas também sei que isso é uma característica minha, faz parte da minha personalidade ser bem humorado e constantemente estar sorrindo para a vida e para o mundo. Apaixonado então, sou um sol radiante espalhando sorrisos e felicidade à minha volta. Uma coisa quase insuportável, na verdade.

Lembro que desde muito pequeno as pessoas sempre sentiram-se à vontade para conversar comigo. Na escola, no clube, na igreja, onde quer que eu fosse, sempre tinha um amiguinho ou até mesmo um conhecido que começava a falar e a falar de seus problemas para mim. Eu escutava, fazia um ou outro comentário e a pessoa se ia, feliz por ter desabafado.

Eu cresci e as confissões mudaram de tom. Deixaram de ser coisas frívolas para passar a ouvir desabafos amorosos, desgostos profissionais ou simplesmente reclamações do dia a dia. E não estou lametando esse “dom”, pois acho que para meus amigos sentirem-se à vontade para desabafar e falar de seus problemas para mim, significa que sou confiável e que ouvir minha opinião é importante para suas próprias decisões.

Mas, deixo bem claro, uma coisa é ouvir as confissões dos meus amigos, seus medos e anseios. Outra coisa é pegar um ônibus e ouvir do dito cujo que sentou do meu lado que tinha brigado com a mulher e que estava muito irritado. Porra, que merda de super-poder é esse o meu? Ao invés de ser imortal, controlar algum dos elementos ou ficar invisível, eu atraio lamentações de estranhos na rua? Shit!

Sacanagem deixada de lado, acabo me divertindo com certas situações inusitadas. Mas me pergunto: o que as pessoas vêem na minha cara para começarem a me contar as coisas? Ou será que existe uma necessidade de contar “segredos” para estranhos que toma conta de muitos e eu sou o escolhido para ouví-los aleatoriamente numa manobra do universo?

Na verdade, penso que as pessoas são é muito carentes. E como nem todo mundo tem um blog na internet – ops, como esse! – pra falar das suas futilidades e encher quem queira ler com suas baboseiras, quando vêem um rosto sorridente e simpático (mesmo não intencionalmente) ali dando bobeira, sentem-se à vontade para entabular uma conversa, descontrair e, talvez, até mesmo deixar o estresse um pouco de lado.

Eu, da minha parte, ouço. Fazer o quê, né? Como ensinaram pro Homem Aranha, super poderes trazem grandes responsabilidades e eu posso estar salvando a vida de várias pessoas por deixar um psicótico qualquer desabafar comigo ao invés de explodir lugares ou atirar aleatoriamente contra inocentes.

Viu só, vocês me devem essa! Faço do mundo um lugar mais seguro pra se viver!

😛

Let him know that you know best
Cause after all you do know best
Try to slip past his defense
Without granting innocence
Lay down a list of what is wrong
The things you’ve told him all along
And pray to God he hears you
How To Save a Life (The Fray)

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9 Responses to Ouvidos de Aluguel

  1. Foxx disse:

    ótima caracteristica para professores, psicologos, advogados, jornalistas e publicitários… =D

  2. Gui disse:

    É uma característica ótima pra qualquer profissão. Relacionamento interpessoal é fundamental.

    Beijo!

  3. hellomotta disse:

    Eu AAAAAAAAMOOOO essa musica!
    E sobre o dom de ouvir, tem um tempinho prum chopp com a Hello, não?
    Tô precisando desabafar! hahaha
    beeeijo, “Anônimo”! hahah
    ;**

    • Autor disse:

      Eu tb AMO a música.
      Ouviu a versão dela no episódio musical de Grey’s Anatomy?
      Ficou fofa, apesar de eu preferir com o The Fray.
      😛

      E adoro ser “Anônimo” amigo da Lu, hahahaha

  4. Eu sou bem parecido com você em muitos aspectos que você relatou. Mas, sinceramente, acho que tem gente que vale a pena a gente ouvir sempre, como você ou eu, pessoas modestas, mas tem uns que nem deviam ter nascido e ainda resolvem fazer blog pra nos encher a paciência! No blog podemos ter a escolha de ler ou não, seguir ou não, abandonar ou não. Agora e no busão?

    Nem!

    Beijos

  5. Lobo disse:

    Meu fone de ouvido é meu herói, que está sempre lá para me defender de estranhos que tentam desabafar comigo nos coletivos da vida.

  6. voto no quesito aleatoriedade.

    lugar errado, na hora errada (pra você, quando não quer ouvir).

    mas sabe que ouvir esse tipo de coisa já foi fonte de inspiração p mim.

  7. Loba disse:

    vc não é razoavelmente simpático. vc é hiper simpático, lindo e, dizem, muito gostoso. sabe que pessoas assim tendem a ter mais disponibilidade pra escutar as outras? qto melhor vc se sente, mais disponivel fica. agora falta a gente marcar aquele papo, né? rs
    beijo, fofinho!

  8. Cara Comum disse:

    Vc me descreveu ai… Só que eu não acho ruim ouvir estranhos… Tb penso q é uma forma de tornar o mundo um lugar mais seguro!! 😛

    O que eu reclamo é quando eu estou vivendo um problema e vem alguém reclamar da mesma situação e eu tenho que dar conselhos esperançosos (pq não me sinto no direito de destruir a única esperança da pessoa), quando na verdade eu tô mil vezes mais desesperado… e isso acontece MUITO comigo…

    Abraços!!

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