Sobre Relacionamentos e o Futuro das Relações

O papo surgiu com o Leitor, numa mesa de bar, tomando um chopp antes de uma sessão de cinema: seria o relacionamento aberto o futuro das relações gays? E o papo surgiu naturalmente, enquanto eu comentava sobre um casal de amigos que adotaram o sistema em seu relacionamento e outro casal de amigos que, teoricamente fiéis, viviam dando escapulidas ocasionais não admitidas. O chop terminou, fomos assistir o filme mas, dias depois, o Leitor me enviou um texto da Martha Medeiros intitulado Traição e Semântica que, segundo ele, se enquadrava um pouco no que havíamos conversado.

Encaminhei o texto para um grupo de amigas, o que gerou uma nova discussão sobre o assunto, já que uma as amigas ressaltou a seguinte parte específica do texto:

“…com o passar do tempo a relação passa a satisfazer apenas parcialmente – e parcialmente pode ser mais do que suficiente quando inclui amizade, cumplicidade, diversão, leveza. Porém, a parte que começa a faltar – a sedução – deixa o campo aberto para novas experiências que podem acontecer ou não. Nada disso tem a ver com desamor.”

Claro que eu peguei no pé, afinal, a referida amiga é aquela do grupo que tem o relacionamento mais estável: casada, convive com o marido há 10 anos, é aparentemente feliz. Provoquei falando sobre a minha visão do ‘felizes para sempre’ que considero não existir. O que gerou uma boa resposta da minha amiga:

“…a questão é o que vc considera “felizes”. Se é o frisson de começo de relação, não, não existe felizes pra sempre. Mas quando o frisson acaba, o que fica não é necessariamente acomodação, medo e preguiça. Isso é preconceito seu. O que fica é exatamente o que ela disse: amizade, cumplicidade, diversão, leveza. A questão é ponderar o que tem mais valor pra você.”

Papos que rendem e que fazem pensar.

Eu, pra finalizar a discussão, complementei enviando o seguinte:

“…Acabei me lembrando de um texto do Quintana, onde ele diz, em parte, isso:
‘E quanto ao amor? Ah, o amor… não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum.’
No final, cada um sabe bem o que lhe completa.”

Porque no fim, cada um é responsável pelas decisões que toma e pelo estilo de vida que melhor lhe apetece. Se dois julgam que essa ou aquela forma é a melhor, quem são os demais para julgar?

Mas o que realmente pegou, para mim, foi não conseguir chegar a uma resposta que me agradasse. Afinal, qual o futuro das minhas relações? Que tipo de relacionamento há de melhor se adequar a mim e ao meu provável parceiro (se ele vir a existir)? Afinal, não, não sou moderninho, mas também estou longe de ser tradicional.

Mas fiz com essas questões o que tenho feito com a maioria das minhas dúvidas existenciais: guardei-as numa caixinha, num canto qualquer da minha mente, e as deixei lá, guardadinhas. Um dia, uma hora, quem sabe, eu volto a me debruçar sobre elas. Afinal, no momento, penso apenas na minha vidinha de solteiro confuso. Que, por sinal, está boa demais!

Até breve.

“E a gente vive junto e a gente se dá bem
Não desejamos mal a quase ninguém
E a gente vai à luta e conhece a dor
Consideramos justa toda forma de amor…”

Toda Forma de Amor (Lulu Santos
)

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11 Responses to Sobre Relacionamentos e o Futuro das Relações

  1. Giselle disse:

    Autor, amei seu texto.
    Concordo com quase tudo que você disse, mas vamos combinar que dar o status de “o Leitor” a um ser específico não é muito a sua cara.
    Mesmo pq, nós dois sabemos que não há O leitor, mas eventualmente, UM leitor.
    Desqualifica, vai e volta pra realidade.
    I love you forever and ever (l)

  2. Gustavo disse:

    “Afinal, no momento , penso apenas na minha vidinha de solteiro confuso”

    ESTOU COM VOCÊ!

    Sério! Já parei demais para pensar sobre este assunto de “futuro das relações”, um tanto quanto complexo, pois eu não abriria mão de um relacionamento monogâmico, porque para mim um relacionamento não se baseia em apenas uma peça no tabuleiro para que possa valer a pena lutar.

    Afinal de contas e se o outro(a), quiser abrir a relação, eu com certeza diria não, hoje eu diria não, mas e daqui uns 4 anos, vou pensar da mesma forma?
    Acredito que sim, mas a partir do momento em que for pedido tal “abertura” de relacionamento, eu pularei fora, assim, sem mais nem menos e sem tentar.

    Prefiro acreditar que tudo é uma questão de escolha, quer um relacionamento, viver o amor, estar muito bem com alguém, se para existir tudo isso alguns precisam “abrir” suas relações, okay! Mas eu não abro, como bem dito pela sua amiga, é preciso saber o que mais damos valor.

    O que me faz pensar se estaria eu pedindo um “contato deexclusividade”, bom, eu tendo o dele, ele terá o meu tbm assinado e homologado e se preciso com testemunhas rsrs

    Bjunda Autor!

  3. Vaca Jersey disse:

    Welcome (back) Autor!!!
    Hehehehe!!!
    O curral é seu… fica à vontade!!! Hugz, babe!

  4. Camila disse:

    É isso que me irrita nos relacionamentos, todo mundo que formula, quer definir tudo demais… Não se pode aproveitar o momento, afinal o futuro nunca chega, sou feliz aproveitando o meu momento.

    E como tu quer definir um relacionamento que ainda nem existe com alguém que nem sabe como é, quando você mesmo vai mudar…

    X.O.X.O

  5. tô aceitando “alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando”.

    cansei de tanta televisão.

  6. Edu disse:

    “E como tu quer definir um relacionamento que ainda nem existe com alguém que nem sabe como é, quando você mesmo vai mudar?”

    Perfeita essa colocação! Relacionamentos é melhor a gente viver, não definir. E nenhum é igual ou remotamente parecido ao outro (um outro grande erro que cometemos, esse da “comparação”).

    Beijo!

  7. Serginho disse:

    guardou num canto escuro da sua cabeça? rs
    mas falando sério ei concordo com sua amiga quando diz : “…com o passar do tempo a relação passa a satisfazer apenas parcialmente…” e o Quintana sempre genial. a gente vê tv e filme demais e dá nisso. amor é mais que uma cabana…
    bem mais.

    beijos

    ps: que pena que não participou do game mas eu acho que vc acertaria sim afinal de todos é o único que me conhece pessoalmente…

  8. M. disse:

    Só vivendo as futuras relações, para saber 🙂

  9. Caju disse:

    Não sei se abriria uma relação. Mas se abrem pra mim, tô ‘dentríssimo’.
    Um beijão pra vc tb, queridão!
    😉

  10. Lobo disse:

    Cada casal tem uma dinâmica, pra cada um funciona de um jeito. O drama é descobrir qual o jeito que funciona para você, e achar alguém com quem esse jeito case…

    Beijos Autor!

  11. Daniel Savio disse:

    Cara, amor se faz a dor, se um apenas que ama, é adoração…

    Fique com Deus, menino Autor.
    Um abraço.

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