Na Beira do Abismo

icanfly“I believe I can fly
I believe I can touch the sky
I think about it every night and day
Spread my wings and fly away
I believe I can soar
I see me running
Through that open door

I believe I can fly…”
I Believe I Can Fly (R. Keller)

Já compararam o ato de apaixonar-se com jogar-se de um abismo: você sabe que a queda é dolorosa, mas a sensação de pular, o frio na barriga, o vento no rosto, o sentir-se vivo, inteiro, faz tal loucura valer pena.
Você está sozinho e procura por alguém. Fato: o ser humano não sabe ser sozinho. Procura sua metade, alguém que lhe faça bem, que o complete. Mas nessa busca (que não é fácil, muitos sequer conseguem terminar essa jornada) você acaba se deparando com questões complexas, como ‘O que eu realmente quero?’.
Afinal, se todo mundo busca por alguém, por que tantas pessoas sozinhas ao nosso redor? Essas pessoas já não deveriam ter se encontrado?
Mas vamos supor que você encontrou alguém. E você está naquela situação, empolgado, na beira do abismo, borboletas na barriga (“butterflies, you make me feel like butterflies…”) e tem que se decidir: pulo ou não pulo? O céu azul, o vento no rosto, a liberdade… Parece que uma força te puxa, te chama, diz ‘Pule, seja feliz!’.
E é nessa hora que você pode escolher. Pois sim, existe um determinado momento em que a gente escolhe se vai ou se fica, se damos a cara à tapa ou se puxamos o freio, se pulamos no abismo ou se damos meia volta.
A partir daí, sinto lhe informar, é por sua conta e risco.
E, normalmente, a gente pula. Sem verificar se existe rede de proteção, se temos asas, se sobreviveremos à queda. Pensamos apenas no céu azul, no vento no rosto, nas borboletas na barriga.
Aquela sensação! Ahhhh, aquela sensação vale tudo!
Mas, muitas vezes, nos estabacamos no chão. Com força! E ficamos ali, machucados, expostos, desprotegidos…
E dói. Dói muito. Até mesmo nos esquecemos que sentir aquela dor era um risco que estávamos dispostos a correr.
E praguejamos, choramos, sofremos. Amaldiçoamos o abismo, o frio na espinha, as borboletas na barriga. Malditas borboletas, infelizes borboletas!
Juramos que nunca mais, NUNCA MAIS! vamos sofrer daquele jeito. Não vale a pena!
E juntamos nossos caquinhos, nos remontamos, nos reerguemos. Pois apesar de não nos acharmos capazes, nós sempre sobrevivemos. É nosso instinto, é humano. Podemos nos refazer e ressurgir das cinzas.
Seguimos nossas vidas. Observamos as pessoas à nossas volta, deixamos que o tempo se encarregue de colocar as coisas no devido lugar.
Até que num belo dia a lembrança daquela dor ficou pra trás. Estamos refeitos, trilhando o nosso caminho, a vida novamente nos eixos. E então surge um novo alguém que nos convida para um passeio…
Empolgação, felicidade e, sem nos darmos conta, estamos ali novamente, na beira do abismo, apreciando aquele maravilhoso céu azul, o vento batendo em nosso rosto, o frio na espinha, as borboletas na barriga… Ah, as borboletas na barriga! Que sensação maravilhosa!
E é nessa hora que você pode escolher.
E então você pula novamente!
Afinal, você pode voar!

Anúncios

28 Responses to Na Beira do Abismo

  1. Foxx disse:

    vc esqueceu de comentar uma coisa…
    a gente deve pular com a pessoa, juntos, de mãos dadas, não vale a pena um pular antes, e ficar esperando que o outro o alcance. Aí está o meu problema, ninguém quer pular comigo…

    então eu vou ficando aqui, sentado na beira do abismo, balançando as pernas, vendo tantas outras pessoas se jogarem, voltarem e se jogarem de novo, e eu fico aqui esperando que um dia alguém estenda a mão pra mim e diga: “eu pulo com vc”

    • Wellington disse:

      Nossa o que o Foxxx disse foi puramente verdade concordo com ele. Simplesmente é isso..
      E eu acabei de me jogar no abismo sozinho e to me recompondo!!

  2. Paul disse:

    eu posso até pular, mas só se for de bungee jump!!
    pq assim eu sei q não vou me espatifar no chão!! hahahaha

    sabe, né? um item de segurança nunca é demais…

  3. Te digo uma coisa, depois de tantos pulos e batendo com a cabeça na pedra. Me sinto muito fechada para novos relacionamentos. Olho pros homens e não sinto nada, essa sensação é muito ruim. Espero que passe, mas me conhecendo, sei que vai ser uma guerra dentro de mim…

    Beijocas

  4. DO disse:

    Já me espatifei algumas vezes nestes pulos,Autor. Dói muito,a gente sofre demais,mas depois passa e,como vc bem disse,a gente tenta de novo. E tenta,e tenta…

    Vale à pena,sim!!

    Abração!!

  5. Bridget Jones disse:

    Gatchinho, quer saber? Confissões da Brid aqui…adooooro!

    Seguinte: Eu nunca pulo. Eu acabo sempre me limitando a dar(ui) o que o outro me dá (ui!), mas nunca mais do que aquilo. Nunca ntes de ter algo pra retribuir.

    Isso, por um lado é ótimo. Impede que eu sofra. Mas também me impede de ser natural e espontanea com quem eu curto muito…

    (gente, olha o divã. Adooooro!)

    Beijo da BRID

  6. Paulo disse:

    Rapaz, já me espatifei tanto no chão… As últimas vezes até tiveram um efeito péssimo, me fizeram ficar com os dois pés atrás sempre que alguém se aproximava ou eu pensava em algum relacionamento. Dispensei ótimos caras por causa de traumas anteriores, justamente por não querer mais passar por toda aquela dor do final.

    Felizmente, o trauma já passou, feridas cicatrizadas, to prontinho pra outra… Só falta achar a pessoa certa! 😉

  7. eu recomendo a todo mundo: se apaixonar é muito bom!

  8. Gustavo disse:

    Genten!!!
    Para tudo… Mas pará meeeesmooooooooo!!!

    Se você soubesse o quanto estava precisando ler um texto desses rsrs.
    Essa semana eu pulei do abismo, como sempre faço, preciso para de me sentir o SuperMan… whatever.

    Você disse tudo e temos que encarar que o abismo estará sempre junto de nós, bem aqui do nosso lado e na primeira oportunidade ele aparece e aí, ou você se jogar ou senta e espera ele ir embora.
    Como naquela propaganda “Sould I stay or should I go”.

    Apesar de eu sempre me espatifar depois de pular, as butterflies sempre, sempre falam mais alto, mas eu adoooooooooro!!!

    PS: Vou tentar postar esse abismo da semana ainda hoje, mas preciso terminar algumas coisinhas da faculdade aqui no trabalho.

    Bjundá!

  9. SAM disse:

    Que lindo!

    Ai eu vivo a beira do penhasco com alguém que tem medo de pular, mas estamos ali…de mãos dadas prestes a pular a qualquer momento!

    Lindo!
    😀

  10. mineironline disse:

    A ultima vez da minha dor foi a exatamente um ano… de la pra cá, o caminhar sozinho sempre esta comigo!!! Sobrevivi e estou fadado a sentir o cheiro das plantas e a brisa suave em meu rosto…

  11. Mike disse:

    nossa eu arrepio toda vez que chego no final dos seus posts!

    o amor está no ar, pelo jeito, e eu já quebrei a cara quatro vezes e olha que a ultima vez, onde eud evia ser ainda mais esperto, eu nao me contentei com o abismo. eu peguei um foguete, fui até a órbita e saí dele… queria sentir como era a terra do espaço… e senti… assim como senti a atmosfera me queimar logo em seguida e a barrigada que dei no meio do oceano…

  12. Lis disse:

    Interessante a parte que vc disse “damos a cara a tapa ou puxamos o freio”…Tem muitas vezes que o medo de se machucar devido a relacionamentos anteriores fazem a gente querer puxar o freio…Estou na beira do abismo agora rsrsrs Os sentimentos não estão ainda a flor da pele,mas sinto que se eu der mais alguns passos a frente eles vão aumentar…me pergunto salto ou não?rsrsrsr Bjus e amei o texto

  13. eu tow pulando nesse momento

    xx

  14. Luan disse:

    ó o texto que eu queria escrever ai, porra!

    are you ready to jump?

    [nao vou demitir ninguem…o desapego vem com o desprezo!]

    bjao.

  15. Du disse:

    .independente de quedas, voos, acidentes ou felicidades, nada me impede de pular. se tem esse sentimento de frio na barriga. de algo nascendo, crescendo. nem vejo direito para o fundo, meu olhar mira direto o céu…..

    .abraço.

  16. Rômulo disse:

    Você realmente foi brilahnte neste post! eu adorei muito!
    Ah,a paixão nos guia.Podemos nunca conssumar,mas a paixão está em nossas almas com uma tatuagem.
    E essas tais borbeletas…

    post novo: http://www.johnrmulo.blogspot.com

  17. Syn (apses) disse:

    Linda descrição amigo Autor. Concordo exatamente com cada intenção desse seu texto. E olha só: hoje foi o meu dia de decidir pular do abismo ou dar um passo pra trás, e devido todas as circunstâncias, escolhi a segunda opção e estou feliz por ela.

    Espero que da próxima vez eu me pule, me entregando de corpo e alma!

    Abração =D

  18. J.M. disse:

    Que falta tenho sentido dessas borboletas, desse frio na barriga. Preciso me apaixonar. Sinto tanta falta disso…
    Abração.

  19. Fábio Nunes disse:

    “Fato: o ser humano não sabe ser sozinho. Procura sua metade, alguém que lhe faça bem, que o complete.” Bah, concordo inteirametne com essa parte. Falou como se lesse meus pensamentos, pelo menso eu sou assim. Já tentei pensar e ser diferente, ser independente, gostar de sarir só comigo mesmo. Mas isso é inerente a mim. Gosto de companhia. Não gosto da solidão…
    Acho que é isso mesmo que escreveste…o sentimento é tão belo, intenso e gostoso que nos muda, nos faz esquecer das dores anteriores. Acho que o que temos que fazer é tentar em cada nova experiêncai, mesmo deslumbrados, tentar colocar um pouco daquilo que faltou na anterior, até qeu o salto seja cada vez masi seguro…Uma hora a gente voa!!!

    Abraços

    Fábio.

  20. Fernando disse:

    Não curto muito esportes radicais. Pular de abismo não é comigo. Após umas quedas, nada melhor que andar em planícies seguras, pelo menos até segunda ordem.

  21. Mauri Boffil disse:

    eu tb ainda prefigo um videogame que e mais seguro que pular de abismo.
    Abração

  22. Tanta Coisa! disse:

    Pô.. tô numa fase nada de esportes radicais.. o céu é lindo, a sensação é ótima, mas dura pouco, o chão é tão pertinho… Bj

  23. Daniel Savio disse:

    Uf, pular para se esborrachar é f…, mas não pular é pior ainda…

    Fique com Deus, menino Autor.
    Um abraço.

  24. JAN disse:

    Maravilhosa analogia. Tenho que concordar com o Daniel, o pior de tudo é não pular e isso se deve ao medo, a covardia, a autossuficiência e outras tantas desculpas para não amar e adimitir que não foi amado, não como gostaria.

    Tbm gostaria de ter escrito isso.
    kkkkkkkkkkk
    bjs

  25. Mariana disse:

    E lá vamos nós novamentes!! pulo feliz sem me lembrar da dor…:)

  26. Juliana disse:

    Parece mentira! Estrava procurando outra coisa sobre abismo , mas essa me caiu perfeitamente. Nunca pulei do abismo!” vou ficando aqui, sentado na beira do abismo, balançando as pernas, vendo tantas outras pessoas se jogarem, voltarem e se jogarem de novo”(roxx).E nunca fui plenamente feliz. Será que isso está associado? Não entendo como as pessoas depositam sua felicidade nas mãos dos outros.essa certa dependencia. Para mim algo inatigivel e inesplicável. E agora, nesse exato momento, uma mão se estende e me chama para pular.E agora, será que devo? A “recompensa” vale a pena ?Mas eu não consigo.

  27. Thauan Santos disse:

    Olá.

    O acaso me trouxe aqui e tenho que tirar minha cartola. Fiquei extremamente satisfeito de ter lido esse post, pois que tu escreveste de maneira bela (e neste sentido, nao só pelo como trataste uma realidade, mas também pela maneira como o fizeste, pois que escreves muito bem).

    Deveria eu dizer que vivi exatamente o que tu descreveste (sabiamente) no início deste ano. Se calhar, posso até dizer que foi algo do tipo fashback ou déjà vu. Mas tudo bem, faz parte …

    Continue a escrever, pois tens um dom. Gosto de me dar conta que ainda há quem use blogs em prol de terceiros, em detrimento de fazê-lo tão somente de diário online.

    Quem sabe passar no meu blog seja uma boa dica. Parcial, eu sei, mas se calhar seria uma boa. http://www.idealinefavel.blogspot.com

    Até mais.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: