Coxas

“If I told you things I did before

Told you how I used to be

Would you go along with someone like me

If you knew my story word for word

Had all of my history

    Would you go along with someone like me”
    Young Folks (Peter Bjorn and John)


Na primeira vez que se viram, Rogério apenas reparou em suas coxas. Ele estava sentado no banco do ponto de ônibus quando aquele homem de belas coxas sob a bermuda curta parou em sua frente. Não conseguiu mais prestar atenção no livro que lia. Via apenas aquele belo par de coxas grossas, com pêlos lisos e negros.
O ônibus chegou e ambos entraram. Rogério sentou-se no meio do ônibus e o dono das coxas se dirigiu para o fundo.
Dois dias depois, novo encontro com o dono das coxas. Dessa vez ele estava acompanhado de um outro amigo, também de bermuda e regata. Em pé, no ponto de ônibus, Rogério apurou o ouvido e descaradamente prestou atenção na conversa dos dois. O amigo do dono das coxas falava feito uma matraca e através das palavras dele, descobriu que malhavam numa academia próxima àquele ponto de ônibus e quase gozou ao perceber que agora o dono das coxas tinha um nome: Márcio.
Com o passar do dias, tornou-se rotina:  segundas, quartas e sextas eram os dias em que Márcio malhava e pegava o ônibus no mesmo horário que Rogério. Era o dia de Rogério ficar hipnotizado por aquele maravilhoso par de coxas grossas, de quase não conseguir esconder a ereção que brotava no momento em que avistava aquela obra de arte da natureza.
Já estava virando obsessão: Rogério desejava Márcio. Ou melhor, as coxas de Márcio.
Num dia chuvoso, Márcio se atrasou e Rogério achou que seria privado do seu prazer visual. O ônibus chegou, Rogério entrou, sentou-se num banco vago no meio do coletivo e, distraído, pegou seu livro e começou a ler. Foi quando aquele homem entrou e, num ônibus com outros lugares vagos, foi sentar-se justo no lado dele. Rogério já xingava o tal homem mentalmente quando reparou nas coxas molhadas pelos pingos de chuva e levantou o olhar: Márcio, seu objeto de desejo estava sentado ao seu lado. Não conseguia disfarçar, não conseguia tirar os olhos de cima daquele par de coxas. Fingia ler o livro para manter o olhar para baixo. Foi quando foi tirado de seu torpor.
-Dia horrível, né, mano? Mó paia essa chuva!
Rogério murmurou uma resposta qualquer e voltou para sua leitura.
E perdeu o interesse imediatamente em Márcio.
Se deu conta de que o preferia calado, já que ele tinha um jeito pavoroso de falar.
Perdeu o tesão e até as coxas deixaram de ser interessantes.
Rogério era assim.
No dia seguinte, pegou o ônibus mais cedo.

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14 Responses to Coxas

  1. adorei o conto
    é lindo
    e lindas coxas
    mas “Dia horrível, né, mano? Mó paia essa chuva!” acaba com qualquer sonho de consumo…

    beijos

  2. pinguim disse:

    As coxas da foto são lindas, mas todos os Márcios deste mundo deveriam se mudos…
    Adorei.
    Abraço,

  3. Tathiana disse:

    rsrs… Desculpa, tive q rir pq lembrou um ex-namorado da minha adolescência! Coxas maravilhosas… Ai, ai… mas caráter q infelizmente deixava, e muito, a desejar…
    Beijos.

  4. DO disse:

    Ah não,do jeito que sou “enfeitiçado” por coxas grossas,o cara pode falar o que quiser,rsss

    Estas coisas acabam comigo,rss

    Abração!!

  5. SAM disse:

    Adoro essas coisas, de repente o tesão se foi! uahuahuahuahuuhauhahuauh

    Beijo!

    😀

  6. Daniel Savio disse:

    Por que a gente acaba perdendo o encanto com uma “simples” coisas, na verdade, por que existe algo para a gente perder o encanto?!

    Sobre o seu comentário no meu blog:
    E eu só jogo um pouco Diablo II, mas jogo todo o dia, antes era desde a hora de acordar até a hora de dormir…

    Fica com Deus menino.
    Um abraço.

  7. Shi disse:

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk 😐
    Cara, QUEM não perderia o tesão com um “mó paia”??? Só um tarado (e daqueles totalmente sem senso crtico, né?)!!! rs. Enfim, uma pena, mais um “sonho” que se esvai no barulho quente dos busões da vida… rs. Bjo, mormeu!

  8. Tanta coisa! disse:

    Nossa! Eu sou assim! O cara pode ser lindo, tesão… se falar que nem biba ou não souber juntar nem o “lé” com “cré”, adeus… Mas que vc escolheu muito bem a foto, ah isto escolheu! rs. Bjs

  9. misterangel disse:

    q conto é esse q termina sem putaria????
    ahhhhh não aceito!!!!

    with love…

    mister angel.

  10. Mabe disse:

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Me rachei de rir……

    Tem razão…certas coisas acabam com qq tesão meu lindo.

    Adoro seu jeito de escrever…quando publicará o livro????

    Bjs meu querido e gostoso amigo.

  11. Eduardo disse:

    Acho que esse post foi um DESABFO seu ahahaha
    e q frecura dispensar um par de coxas só pelo modo de falar…. só gay msm ehehe zuera
    e pára de chorar por posts meus! Parce criança… [embora eu adore ehehe]
    Tem um lá, pe´ssimo para variar…
    Bjs

  12. Marco disse:

    Ah, se bobear eu ficava era com mais tesão ainda…
    😛
    Hehehe.
    Bjs.

  13. Dono disse:

    Entre coxa e cérebro, tô com o Rogério.

  14. perai…. (risos modelo Clodovil)… maldade vc criar um personagem desses e jogar ele no limbo… vc poderia colocar ele pra ocupar a boca dele com outra coisa e, assim, ele não precisaria falar. (risos modelo Cruella Cruel)

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