Vida Que Segue…

O dia amanheceu feio: cinza, ora garoando ora totalmente sem visibilidade por causa da neblina.

Acordei e permaneci deitado, a televisão ligada enquanto o tempo se arrastava.

Dei uma geral no apartamento, assisti à final olímpica do vôlei feminino e, quando me dei conta já era quase 3 da tarde. Me arrumei e parti para o local combinado. Às 5 em ponto eu estava em frente ao Cine Odeon, no centro velho do Rio.

Um vento cortante e ele, como sempre, atrasado. Mas me perdi em pensamentos olhando o velho cinema e relembrando alguns bons momentos vividos ali.

Quando ele chegou, me pegou distraído. Mas o grande sorriso de sempre estava em seu rosto cansado de quem havia enfrentado um dia inteiro no curso de pós-graduação e eu não pude deixar de sorrir também.

 

-Olá, gatinho! Quanto tempo, não é mesmo? –ele disse enquanto me abraçava.

 

Sorri e caminhamos para dentro do Café Odeon.

Um pouco de conversa jogada fora, mil amenidades e eu me torturando, com um nó na garganta.

 

-Precisamos conversar. –eu disse de sopetão.

-Precisamos? –ele me olhou intrigado.

 

E eu desabafei.

Disse que não estava feliz; que estava tentando, mas que havia chegado ao meu limite; que sempre achei que fosse uma fase que iria passar, mas que nada mudava; que o que ele estava me oferecendo era pouco para mim; que eu era carente e precisava de atenção, não me contentava com um namoro mensal frio e com tudo cronometrado.

Ele me encarava, o olhar perdido, nenhuma palavra sendo rebatida.

 

-Então é isso, né? –ele apenas dizia eventualmente.

 

De todas as vezes que havia visualizado aquela conversa, em nenhuma delas ela acontecia dessa forma: eu falando e ele ouvindo quieto.

Por fim, ele apenas me disse:

 

-Vou embora.

 

Nos levantamos e saímos juntos.

Na estação do metrô nos abraçamos e ele enfim desabou.

Chorou e chorou e eu sentia pontadas no peito, uma dor maior do que quando ele terminou comigo da outra vez.

Nos despedimos e eu, ainda abraçado, disse em seu ouvido:

 

-Se cuida! E conte comigo para o que precisar.

 

Naquele vagão, sozinho, estava triste. Mas aliviado.

Eu sabia que tinha feito o melhor, apesar de tudo.

Já quase chegando em casa, uma sms recebida pelo meu celular:

 

Preciso repensar no rumo que estou dando a minha vida, em tudo que tenho feito.

Tenho absoluta certeza que não sou feliz.

Assim, não sou capaz de fazer alguém feliz.

M.

 

Me senti triste.

Mas pelo menos ele admitiu que precisava repensar muitas coisas.

E agora é vida que segue.

Afinal, ela sempre segue.

 

Anúncios

24 Responses to Vida Que Segue…

  1. DO disse:

    Fico sempre muito triste nestas horas. Mesmo sendo apenas leitor.

    Se cuida!!

  2. Razi disse:

    Ah, meu querido… ja´terminei, já terminaram comigo, mas a dor de terminar, de certa forma, éa pior…

    Eu vivo um relacionamento estável há 4 anos… e não saberia viver aquela coisa de encotrar só nos finais de semana e quando desse… entendo essa sua necessidade de atenção e de compartilhar…

    Bom, boa sorte!

    Abração!

    PS: Não rola um seed de RSS aqui?? 😀

  3. Razi disse:

    Olha!
    Apesar de vc não ter disponibilzado, consegui te linkar a partir do seed do comentário!

    Abração!

  4. Mabe disse:

    A tristeza vem, fica e depois passa…tudo passa…

    Siga em frente…é o melhor e a única coisa a se fazer…

    Bjs, meu amigo

  5. Tathiana disse:

    Ai, q triste.
    Isso é tão difícil pra mim. Dói, mesmo qd a gente sabe q está fazendo o q deve ser feito (e eu nunca sei).
    Espero que fique bem. Vc. E ele tb.
    Beijo.

  6. pinguim disse:

    Uma ruptura nunca é fácil, mas a dignidade imperou no vosso caso, agora, embora mesclada com uma tristeza de ambos. Uma coisa é certa, deste o passo que devias ter dado, pois manter uma relação de “mentira”, isso sim, é que magoa mesmo…
    Abraço.

  7. Sieger disse:

    Poxa…
    Mas, a vida segue!

  8. Edu disse:

    Puxa, nunca passei por isso mas deu pra sentir toda a angústia do momento. E assino embaixo o comentário de todos: melhor a dor da dignidade que ficarem se enrolando! Quem sabe tudo não dá certo num outro tempo, quando ele tiver mudado?

  9. Daniel Savio disse:

    Acabar e recomeçar é sempre um ciclo para nós seres humanos, pois sempre procuramos a nossa felicidade…
    Espero que você consiga a sua felicidade.
    Obs: A iniciativa de ajudar o Odele não foi nada.
    Fica com Deus menino.
    Um abraço.

  10. Uillow disse:

    Meu caro, por fim você acabou fazendo-o pensar… rever algumas coisas. E isso é bom! Você mesmo disse que a vida segue, e quem sabe a dele não melhore assim que os conceitos forem revistos?

    Mas e você, como ficou com tudo isso?

    Um abraço!

  11. Ludo disse:

    Ai…. quando chegou na parte que ele disse “-Vou embora”, eu já comecei a chorar… rss…

    Sabe… Semana passada vi um filme muito bom, apesar de tratar um assunto que já cansou: o 11 de setembro de 2001. Mas a proposta foi bacana: o filme reúne 11 curtas, de 11 minutos cada um, originados de 11 países diferentes. Achei fantástico o recorte de cada país, contando o atentado às torres gêmeas de acordo com a ótica cultural e/ou política e/ou social de cada um.

    O que mais gostei foi o curta da França: uma francesa, surda e muda, mudou-se para os EUA onde conheceu e casou-se com um guia turístico de surdos-mudos. O cara é americano e fala e escuta perfeitamente. O curta é todo mudo, exceto em uma cena na qual o cara conversa ao telefone com alguém. Na madrugada que antecede o atentado, o cara termina o casamento. Pela manhã, antes do cara ir encontrar um grupo de surdos-mudos para levá-los ao World Trade Center, a mulher diz (ela fala em sinais e rola legenda!) que aquele era um dia triste, porque o mundo estava acabando exatamente naquela data. O cara retruca algo do tipo “tá louca? o mundo num tá acabando naum”. E a tréplica dela foi “Sempre que um relacioamento acaba, é o fim do mundo”. O cara sai e ela fica no apartamento escrevendo “a carta” para ele, falando de todo amor que sente e da dor que o término do relacionamento deles lhe causava. Nisso a TV, que tá ligada, começa a transmitir o atentado ao vivo e a cores. Lembra que o cara ia levar os turistas lá, né?! rs. Ela não vê a TV, e o som, obviamente, não chama a atenção dela. Resumindo, o cara volta pra casa cheio de poeira e vivo, os dois se abraçam, ele chora e o curta acaba.

    Deixando de lado o atentado, a situação (do casal) narrada, da forma como foi narrada, mexeu bastante comigo… e depois de “assitir” o término de dois relacionamentos no mesmo finds (e lembrar do que passei há menos de um mês), refleti ainda mais sobre aquela história.

    Indiferente de quem termina a relação, se houve de fato carinho e respeito nela, ambos passam por um momento de profundo silêncio. Para os dois, ou para um deles apenas, esse silêncio pode se tornar ensurdecedor (sendo metalinguístico mesmo!). E dói, muito, para ambos. Talvez com intencidades distintas, com sintomas distintos. E essa dor e esse silêncio podem sim representar o fim do mundo por alguns instantes… Mas não representa o apocalipse e a vida acaba retomando o movimento que lhe é próprio.

    NOOOSSA…. acabei me inspirando demais, impolgando, falando demais e dizendo de menos né?! Isso aqui mais parece um post que um comentário… rss

    Dói. Mas passa (passa?! rs). E a gente precisa ser maduro para aceitar que no coração não se tem como mandar, né?!

    É isso… abração!

  12. como diria Madonna: the life goes on
    sempre não é?
    conte comigo para o que der e vier
    também te adoro sabia?
    e sim você me conquistou pelas palavras, me conquistou pelo sorriso o resto veio com o tempo…

    sou super fã do meu amigo
    e que bom que no foinal ELE também vai repensar sobre ele
    e esse texto serviu para eu repensar sobre mim!

  13. Mogli disse:

    Pois é…continua. Só toma cuidado para não ficar se torturando depois. A dignidade de todo esse final vale a dor.

    Beijos.

  14. Tanta coisa! disse:

    Oi querido, desculpe a intimidade mas suas palavras me fazem sentir assim em relação à você. O título do Post é o essencial: A vida continua sim, sempre e se fortalece quando somos dignos dela, plantamos respeito, nobreza, como você fez. Agora é deixar agir o bálsamo dos dias, do tempo. Bj

  15. Mauri disse:

    È como eu sempre digo,
    Se nao acabar bem é porque nao acabou.

    E apesar dos pesares, acabou bem.
    Entao a vida segue mesmo.

    Bjo meu amigo.

  16. Rafael disse:

    que foda!
    e que feliz! e qie alivio!
    sei lah!
    eu sempre sou a pessoa que sofre..
    então nem sei o que vc estpa sentindo!

    insso não eh um julamento. ok?

  17. loba disse:

    DR é sempre complicado e há decisões que doem pra caramba, mas são necessárias.
    espero que a tempestade já tenha passado e que vc já esteja prontinho pra voar novamente, viu?
    beijoconas

  18. misterangel disse:

    quando é amor não acaba…
    é amor?

    with love

    mister angel.

  19. Thiago disse:

    Oi amigo

    Entao, estava eu e esmo na internet quando cai no seu blog, e justamente post.

    Ele me fez pensar em eu mesmo, me fez se autoavaliar, principalmente no “tenho certeza que nao sou feliz, assim nao sou capaz de fazer alguem feliz!”

    Enfim, isso passa, vai ser bom ele pensar nele proprio e conquistar a felicidade para poder te fazer feliz. Quem sabe ainda dá certo né!

    Adorei o seu blog, o linkei nos meus favoritos!

    Um abraço, se cuida!

  20. Oz disse:

    Já te “devia” esta visita há algum tempo, mas ainda não tinha tido a oportunidade de retribuir.

    É um momento delicado, mas ter a frontalidade de o fazer cara a cara e sem recorrer a subterfúgios tem pelo menos uma grande vantagem: a de se sair triste, dorido, mas com a certeza de que fomos honestos. Connosco e com o outro.
    Abraço.

  21. K disse:

    Eu passo mal. Apesar de ser considerado frio e tudo mais, não me agüento com o sofrimento dos outros… o meu eu sei controlar… o dos outros… impossível.

    Mas foi o certo… Ambos concordam. Não havia melhor opção.

    (Sou de SP, meu!!! rs)

  22. Fabi disse:

    Como diz o título do post, a vida que segue, e com ela vem novos amores, novos relacionamentos e novos rompimentos e nem por isso essa situação se torna mais fácil.
    Acompanhei o começo da dessa história, qd recebi uma mensagem: sinto borboletas no meu estomôgo, se lembra disso???
    E agora vejo o final… e que final digno hein?
    Estou orgulhosa de vc.
    beijos

  23. Marcella Sing disse:

    Nossa… que triste.
    Às vezes tudo o que a gente quer é ser ouvido… mas nessas horas confesso que prefiro uma pequena discussão. Sei lá, tira um pouco de tensão no ar, o problema são as palavras que saem na briga… mas ainda sim prefiro!

    Pelo menos agora você está “bem” e ele enfim vai repensar coisas…

    Bjosss

  24. Daniel disse:

    Ter certeza que foi melhor assim… acho que isso basta.

    Difícil sempre é, mas ninguém disse que seria fácil afinal das contas. Quando assumimos um relacionamento nós sabemos que estamos arriscando muito mais do que parece.
    Mas eu sempre arrisco, pois eu sei que o que importa é a intensidade em que se dividiu a vida com a outra pessoa.

    To pensando muito em relacionamentos, finalmente to namorando sério, rsrs.. ai ai…. tudo de bom para você caro e até mais.
    😉

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: