Pais & Filhos

Dia das mães chegando e o filho pródigo vai passar o fim de semana em sua cidade natal.

Apesar de morar numa cidade próxima (uns 80 km de distância nos separam) eu odeio ir em casa.

Não pelos meus pais, mas sim pela cidade em si: pequena e que parece não ter nada mais a ver comigo. Não vejo identificação nenhuma mais com a cidade e nem sei como pude ter crescido e me formado por lá.

Não tenho amigos que moram lá, não tenho o que fazer na cidade e todas as vezes que vou, fico trancado na casa dos meus pais assistindo televisão ou filmes no dvd.

Minha mãe, é claro, faz sempre aquele drama: filho desnaturado, que não sente saudades, não aparece, está sempre longe.

O que nem é tão verdade assim pois, gostando ou não, eventualmente eu vou lá, nem que seja pra dar um beijo, comer comidinha de mamãe, dormir e voltar no dia seguinte pra minha atual cidade.

Mas dessa vez vou pra passar longos 3 dias em casa, mas, tenho de admitir, estou morrendo de saudades deles.

Meus pais são uns amores e sempre fizeram o possível e o impossível por mim.

Se eles sabem?

Nunca falei e nem pretendo. Acho desnecessário.

Sempre me viram namorando mulheres e, agora que estou morando em outra cidade, não sabem com quem eu saio ou deixo de sair.

Se desconfiam?

Não sei. Mas são pais e, segundo dizem, conhecem bem os filhos. Não sou afeminado, nem tenho trejeitos, me visto como homem e sou homem. Então não posso dizer se eles desconfiam de mim ou não.

O que mais me chatearia se eles soubessem seria o fato de que sofreriam com isso, se culpariam e se martirizariam. Culpa de sua formação religiosa.

Estava assistindo esses dias um episódio de Queer as Folk, a série com temática gay e vi o relacionamento de um dos personagens com a mãe que sabe e aceita o filho gay e da mãe que está descobrindo agora que seu filho adolescente é gay. Acho que minha mãe faria um drama tremendo, afinal ela é a rainha dos dramas (Oscar pra ela!).

Mas como não levanto bandeiras, nem quero expor demais minha vida, prefiro ficar na minha, vivendo desse meu jeito.

Eles não perguntam e eu não falo nada.

Se é a melhor forma?
Não sei, mas é o jeito que vivo e estou bem assim.

Pra que mais?

Amo meus pais e sou amado por eles.

E acho que isso basta.

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8 Responses to Pais & Filhos

  1. Tânia disse:

    Olá “Autor”, li seu comentário na Loba e cai aqui…
    Comecei a te ler, e o que pude perceber é que nossas descobertas sempre são de alguma forma uma procura…parece loucura né? Mas se vc perceber bem o que procuramos nem sempre é o que queremos descobrir…Estou devaneiando…rsrsrsrs

    Adorei seu texto de “retorno” à casa dos pais…e o que posso lhe dizer é o que vc mesmo disse no final
    “Acho que isso basta”!!!

    Basta sim; acredite.

    beijo

  2. misterangel disse:

    oi menino…
    a famíla é o nosso maior refúgio…
    eu também morria de medo de falar pra minha família… achei que iriam ter vergonha de mim… que iria me ofender… são pessoas muito humildes… e por consequencia acabam sendo preconceituosos…
    mas a minha maior surpresa quando eles descobriram, foi que eles chegaram em mim… e me falaram com tanto amor… que tudo mudou… meu relacionamento com minha família hj em dia é MUITO melhor que a 1 ano atrás quando eles descobriram…
    o meu medo era só algo da minha cabeça… eles sabem quem eu sou… conhecem meu caráter… e por isso continuam me amando…
    não fique com medo deles… mostre que é possivel ser gay e ser uma pessoa descente…
    vc realmente pode se surpreender com sua família viu????
    bjsss e desculpe a demora por postar… sabe como é… amor é foda, rsrsrs

  3. mister angel disse:

    kd os post dessa budega heim??????
    blog bom é blog atualizado diariamente, rsrsrs
    pode dar um upgrade aqui… humpf, rsrsrs
    falando da minha explendorasa existencia: fazia tanto tempo q eu não gostava de alguém… mas confessa q ta sendo uma experiencia diferente… tenho aprendido o nome de muitas marcas de roupa q eu nem sabia q existia… rs rs
    mas enfim…. um dia eu chego nesse patamar, rsrsrs
    com relação ao aniversário do seu namorado… o q importa não é o valor do presente… como o Danilo falou: dinheiro ele tem… não precisa do seu…
    então… dê algo pra ele lembrar de você e não do seu dinheiro, hehehehe
    um suéter… nesse tempo de frio… não é caro… e se for bem confortável, com certeza ele vai gostar… na Zara sempre tem alguma peça em promoção, rs rs… e não esquece… sempre tem os outlets da vida pra nos ajudar 😉 heheheheh

    with love

    mister angel.

  4. FOXX disse:

    acho uma boa forma de lidar com a coisa
    agora, tem gente q sente necessidade em contar né?
    eu tb nunca contei para meus pais, apesar de ter certeza q eles sabem, exatamente pq tenho tudo aquilo q vc disse q não tem (efeminado, trejeitos), mas enquanto eu não falo, eles fingem q não sabem, e o sofrimento é menor. Eu acho! Mas enquanto eu puder evitar…

  5. Jarbas disse:

    antes de qualquer coisa; deixa-me agradecer pela visite em meu blog.
    valeu mesmo.

    adorei tudo aqui … eu moro no inteiro também, e acho um saco a vida aqui, apesar de ser tranquilo e tal . e lhe digo uma coisa a unica coisa que me empede de sair daqui é minha familia, talvez a unica coisa boa que ainda resta nesse cidade, incluindo meus amigos.

    até mais.
    abraços.

  6. Rafael disse:

    os meus deram umpocuo d trabalho no inicio, mas hj gracas a deus a coisa e tao tranquila, q valeu o trabalho q deu nos primeiros 6 meses..
    qnto a bitch, tb fui com meu namorado, mas ele e tranquilo, nos “perdemos” umas 20 vezes ao longo da festa rs…agora e sp vindo.. semana q vem ja :S

  7. Sieger disse:

    Os meus se fazem de cegos…
    Agora, ir a cidades pequenas com quase nada pra fazer é o borogodó!
    Obrigado pela visita! Virei mais vezes!

  8. zailda disse:

    Oi, garoto!
    Tenho muitos amigos gays e acho que o fato de ter que “contar” aos pais é um drama que os aflige tremendamente e via de regra o resultado é lastimável, pelo menos a princípio. Que depois eles se conformem é uma consequência, mas no primeiro impacto nem sempre a reação é das melhores. Há dramas sim. Expulsões de casa, “você não é mais meu filho”, e por aí vai…

    Como mãe de 5 filhos eu não me importaria se um deles fosse gay porque acho que até saberia lidar melhor com ele, por ter tantos amigos gays. Mas acho que se um deles fosse gay não haveria esse “momento” de contar, acho que me contariam suas dúvidas assim que começassem a desconfiar de que não gostavam do “politicamente correto”, porque com meus filhos o papo foi sempre aberto.

    Se há a necessidade de “contar” ou de “não contar” é porque não há um diálogo aberto entre pais e filhos, e portanto qualquer atitude precipitada pode, sim, ter consequências dramáticas dignas de Oscar.

    Mas o mais importante é que você esteja bem e feliz com sua sexualidade, porque afinal com quem você faz sexo é uma coisa íntima e você partilha com quem quiser – ou não.

    Beijão!

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